quarta-feira, 15 de junho de 2011

Narizes na História: Cícero

Se têm lido este blog com atenção, já devem ter percebido que os romanos tinham alguns hábitos questionáveis. Um desses hábitos consistia em adoptar os cognomes mais ridículos e fazer deles bandeira, passando-os a filhos, netos, e por aí em diante, sem sequer pensar nas implicações que tal alcunha poderia vir a ter, por exemplo, numa carreira política.

Infelizmente, Cícero tinha um nariz normal.
Nem um grão-de-bico à vista.
Debrucemo-nos sobre o caso de Cícero. Habituámo-nos a chamar-lhe assim, mas ele era "Marco Túlio", e Cícero era o seu cognome de família. Reza a História (ou Plutarco) que esta alcunha foi dada a um dos antepassados de Cícero, que teria um sulco na ponta do nariz comparável ao que se encontra nos grãos-de-bico (cicer, em latim). Alguns acham mais provável que a alcunha se devesse ao facto de os antepassados de Cícero terem prosperado no cultivo e comércio de grão-de-bico, mas isso é gente que gosta de arruinar uma boa história. O que será melhor para um candidato a uma carreira política de sucesso em Roma?

1) Um antepassado com um nariz imponente
2) Antepassados agricultores de leguminosas

Pois, bem me parecia.

Os romanos e as leguminosas tinham uma coisa em comum:
viviam em promiscuidade.
Aparentemente, a estranheza da coisa levou alguns conhecidos de Cícero a insistir que ele mudasse o seu nome quando entrou na política, mas o famoso orador recusou. A mudança confundiria muita gente – isso é óbvio – mas a verdade é que Cícero não via razão para se dar a esse trabalho quando, afinal, muitos dos seus pares carregavam o fardo de nomes igualmente ridículos: Fábio (faba ou fava), Lentulo (lentes ou lentilha), Piso (ervilha)...

Tentemos não pensar demasiado nas razões deste fascínio dos romanos pelas leguminosas.

2 comentários:

  1. "Ils sont fous, ces Romains!"

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  2. Pois! É natural essa promiscuidade!
    As leguminosas são parte importante da dieta alimentar dos povos mediterrânicos.
    Abençoada herança romana!

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